Fotografar à noite

 

 

Pois bem, hoje venho falar-vos sobre fotografia noturna. Eu pessoalmente,como fotógrafo adoro, mas ainda assim, muita gente não gosto. A principal desculpa é porque “as fotografias não têm a mesma qualidade como as que são tiradas de manhã”, ou “a noite é muito perigosa…”. Pois bem, é precisamente por isso que decidi escrever estes artigos, primeiro porque é um género fotografia que eu adoro, e segundo porque adoro ser o advogado do diabo.

Fiquem então com as razões que me fazem adorar este género fotográfico:

 

O mundo parece diferente à noite

Isso, mais do que qualquer outra coisa, continua a ser das coisas que mais me puxa para fotografar à noite. A minha primeira câmera foi uma Kodak 110 “point-and-shoot camera” que era totalmente incapaz de satisfazer as minhas necessidades no que toca a fotografia noturna, muito graças à sua falta controlo sobre a exposição manual. Ainda assim, sempre tive muita vontade de fotografar à noite e quando tive a minha primeira máquina mais a sério (uma Nikon 6006 com rolo de 35mm) pus logo mãos à obra.  Claro que o resultado final pode não ter sido o melhor, mas permitiu-me experimentar algumas longas exposições de aviões a jato que nessa noite faziam treinos de aterragens noturnas na pista de aterragem de Figo maduro.

A fisiologia dos nossos olhos faz com que no tenhamos uma visão diferente das coisas em relação às imagens retiradas pelas câmeras. Isto acontece porque as câmeras não conhecem os limites naturais das cores naturais, já que têm a capacidade de capturar a cor independentemente do nível do ambiente e da luz. É por isto que as câmeras que permitem-nos ver em ambientes escuros de maneira diferente dos nossos olhos, de forma mais clara e com as cores mais ”visíveis”.

 

 

O dia é chato

Não me interpretem mal – eu adoro o sol, o verão, longos passeios na praia e bronzear-me, mas a verdade é que há luzes que são fantásticas e que só podem ser vistas depois de escurecer. Uma coisa é certa, a luz natural é imbatível, mas desde que criança que a lua me fascinou (aliás, este nosso satélite cativa-me desde sempre e até hoje ainda busco pela fotografia perfeita da lua). Outro factor que me fascina na noite são as estrelas, os planetas e o desconhecido que nos envolve, sem saber ao certo o que está para além daquelas luzinhas cintilantes lá em cima.

Ok, eu moro no centro da cidade e por isso mesmo, além do sol, fica um pouco difícil ver as estrelas por causa das luzes da metrópole. Ainda assim isto não é de todo uma desvantagem. Um erro muito comum e cometido pela maioria das pessoas é associar fotografia noturna a fotografar no escuro ou a fotografar a lua e as estrelas – Está errado! Há outros elementos para além destes satélites naturais interessantes para fotografar como as luzes artificiais (especialmente aquelas em ambientes urbanos), basta ser criativo e ter olho clínico.

 

Eu adoro o processo

Em tempos, Henri Cartier-Bresson disse “para mim, a fotografia é o reconhecimento simultâneo, numa fração de segundos, do significado de um evento”.

Pois bem, na fotografia noturna não existem frações de segundo. É precisamente o ponto de vista oposto. Na maioria das vezes não tem nada a ver com o momento, já que requere pensamento, planeamento, paciência e acima de tudo o equipamento certo. A fotografia noturna torna-se por isso mesmo um processo. Eu pessoalmente prefiro algo em que não se limite apenas a encostar a câmera aos olhos e carregar em “shot”. Prefiro algo mais desafiador e que envolva um maior processo.

Para se tirar uma fotografia noturna geralmente tem que configurar o tripé, montar a sua câmera, fazer a composição e em seguida tirar a fotografia. Adicione a isso os cálculos de exposição, leituras de medidores de luz e imagens teste. Só depois de todo este processo é que se consegue ter uma imagem noturna minimamente decente. Ah, e ás vezes a fotografia poderia levar numa boa hipótese uma hora ou mais e não uma fração de segundos. Quantos momentos estão numa exposição de 17 minutos? 😉

 

Observe a noite

Se vive numa cidade, olhe ao seu redor enquanto vagueia durante a noite. Veja as sombras, as luzes, os reflexos que brilham na escuridão. Imagine essas cenas na sua cabeça e componha-as mentalmente, para perceber qual o melhor ângulo, foco de luz ou posição para tirar a fotografia. Experimente pensar sempre um bocado mais á frente para perceber que edições poderá fazer na fotografia para atingir o resultado pretendido.

Se no seu caso, vive fora dos grandes centros urbanos, aproveite o céu noturno e as suas luzes naturais, como a lua, trilhas de estrelas ou quem sabe a nebulosa via láctea (se calhar isto já é um bocadinho mais difícil). Mais importante do sítio em que está ou em que condições está, o mais importante é aproveitar ao máximo os recursos que tem tirar as fotografias que pretende e acima de tudo, divertir-se!

 

 

Bem, vejo-vos lá fora, no escuro! 😉

Até uma próxima!

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